Conheça o TOC

Muitos de nós sabemos bem o que é sair de casa e logo depois ter a sensação de que a porta ficou aberta ou o fogão ligado. Essa sensação faz com que pensamentos do tipo: “e se a porta estiver realmente aberta?” se repitam muitas vezes até que o indivíduo não resista e volte à casa com a intenção de checar sua suspeita. Isso pode indicar simplesmente um traço de personalidade. Entretanto, tais situações passam a ser patológicas uma vez que a pessoa esteja aprisionada por padrões de pensamentos e/ou comportamentos repetitivos, que podem comprometer seriamente suas atividades em casa, no trabalho ou na escola.

Denominamos TOC ou Transtorno Obsessivo Compulsivo, um transtorno que tem a ansiedade como característica principal. Caracteriza-se por: obsessões, que são idéias ou imagens aflitivas e persistentes fontes de muita ansiedade; e compulsões quando na tentativa de diminuir essa ansiedade, a pessoa recorre à comportamentos repetitivos que geralmente ocorrem em resposta à determinada obsessão (os mais comuns são os de limpeza por medo de contaminação e verificação repetitiva de portas, janelas, fogão…).

Dessa forma, uma pessoa perturbada por pensamentos repetitivos de que pode ter se contaminado ao tocar maçanetas e outros objetos sujos (pensamentos obsessivos) pode passar horas de seus dias lavando as mãos, até deixá-las vermelhas e irritadas (comportamento compulsivo), despendendo grande parte de seu tempo nesses rituais e deixando de aproveitar melhor esse tempo para suas atividades sociais, por exemplo.

Fatores ambientais e genéticos parecem contribuir para o desenvolvimento de sintomas obsessivo-compulsivos. O transtorno atinge pessoas de qualquer sexo ou idade, sendo mais freqüente seu aparecimento em adultos jovens.

Pessoas com TOC sentem que não conseguem controlar sua ansiedade de outra forma se não fazendo seus rituais. Seus cérebros lhe fazem crer que seus medos só diminuirão dessa forma. Na maioria das vezes, reconhecem que seus pensamentos obsessivos são sem sentido ou exagerado, e que seus comportamentos compulsivos não são realmente necessários. Mas a simples tentativa de se livrar dos indesejáveis sintomas costuma não ser suficiente.

A maioria dos portadores de TOC relata que a medicação ajuda a rejeitar as preocupações e a resistir às compulsões mais facilmente. Quando a medicação é interrompida, entretanto, os sintomas tendem a retornar dentro de algumas semanas ou meses e novamente torna-se difícil resistir à necessidade de realizar as compulsões. Adicionando outras técnicas terapêuticas, particularmente a terapia comportamental, temos mais chances de conseguir tratar os sintomas com menos medicação ou até mesmo sem elas.

A terapia cognitivo-comportamental tem objetivos definidos e foco nos sintomas e, dependendo da intensidade desses sintomas, pode ter uma curta duração. Começa geralmente com uma análise do comportamento e identificação dos sintomas alvo e das cognições associadas que são problemáticas. O contexto ambiental no qual os comportamentos ocorrem é identificado, com o reconhecimento de pistas externas e reforços importantes na manutenção dos sintomas.

O tratamento adequado leva o cliente a se libertar de tantas ansiedades e sintomas, facilitando o auto-controle nas mais variadas situações.

Motivação e adesão ao tratamento são fatores importantíssimos para se obter sucesso.

Giovanna Vasconcelos

Leia Mais