O que esperar na sua primeira sessão de terapia?

terapeuta

 

Você está prestes a entrar na sua primeira sessão de psicoterapia?

Mas não basta sentar lá, hein! A terapia é um esforço de equipe . Cada um dos participantes desse time tem um papel importante!

Existem diferentes abordagens terapêuticas, mas usualmente na primeira sessão a(o) psicólogo(a) faz perguntas sobre você e sua vida. Estas informações vão ajudá -lo(a) a fazer uma avaliação inicial de sua situação. As perguntas que ele(a) pode fazer incluem: (mais…)

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Não Fuja Da Dor!

Por Desirée C. Cassado

O cliente chega no consultório e diz:

“Hoje até q eu acordei bem,
Mas vc precisava me ver no domingo.
Eu acordei mal, angustiado, ansioso, daquele jeito, sabe?
Estou com saudades dela. Eu ainda não consegui ir para faculdade, fico muito ansioso imaginando que vou encontrá-la.
Preciso falar com o medico, o remédio ainda não esta bom.
E a terapia, eu não sei, mas já se passaram 3 semanas e eu ainda estou ansioso.”

Imagine que um indivíduo tente deliberadamente não lembrar de um determinado evento. Ou melhor, tente você: não pense num gato preto!
Conseguiu? Provavelmente não.

Acontece que memórias e eventos privados em geral não são comportamentos voluntários. Uma vez que um evento ocorreu, lembrar-se torna relativamente automático em uma série de circunstâncias.

Estratégias para evitar eventos privados aversivos (memórias, pensamentos, sentimentos) podem incluir a esquiva de todas as situações que podem ser contexto para a emergência desses eventos. O problema dessas estratégias é que mesmo que elas sejam efetivas, elas criam outros problemas como restringir a possibilidade de um indivíduo comportar-se de acordo com seus objetivos pessoais, ou limitar sua capacidade de estar presente e discriminar contingências atuais.

Mas o pedido do paciente é claro: eu tenho me sentido deprimido/ansiodo/angustiado (etc.) e não quero sentir-me assim.

Não podemos julgá-lo. Vivemos numa sociedade que vende duas idéias. A primeira é a de que o sofrimento é evitável, controlável e a segunda é a de que a saúde mental significa a ausência de sofrimento.

As promessas são muitas: cursos que podem curar a timidez, terapias que curam o medo de voar; medicamentos que curam depressão, luto, ansiedade, baixa libido e assim por diante.

Assim, diante de um evento privado aversivo (sejam eles memórias, pensamentos ou sentimentos), é inevitável que o indivíduo canalize forças através de um padrão de ações deliberadas com função de remover ou evitar o estado de sofrimento ou angústia.

Mas o que fazer quando aquilo que mais importa ao indivíduo é o que mais lhe traz sofrimento?

Respostas de auto controle constituem uma classe de respostas operantes estabelecida individualmente como um repertório de escolha entre contingências incompatíveis sinalizadas por diferentes estímulos discriminativos (verbais). A pessoa realiza ações que envolvem a perda de contingências reforçadoras a curto prazo, mas as consequências destas ações têm um valor importante pois aproximam o indivíduo com prováveis resultados positivos no longo prazo (Luciano, Valverde, Soriano, 2004).

Entretanto, a falta de contato com objetivos ou propósitos (ou reforçadores a longo prazo) podem levar o indivíduo a comportar-se com o objetivo supremo de suprir “a necessidade de sentir-se bem” (Luciano, et al. 2004).
Esse padrão sugere que o desempenho pessoal é determinado principalmente pelas tentativas de remover e evitar o sofrimento imediato, mesmo que a longo prazo isso possa gerar sérios comprometimentos.

Paradoxalmente, como podemos observar em nossos clientes, muitos que se comportam de acordo com esse esquema estão profundamente convencidos de que suas estratégias são coerentes e importantes (Luciano, et al., 2004). Assim, diante da regra “eu não posso viver com tanta ansiedade” o padrão é controlado tanto pela retirada imediata do estímulo aversivo (“não vou pra faculdade”) quanto pelo extraordinário poder da coerência verbal: “estar certo” ou ser coerente com o próprio pensamento é um grande reforço positivo generalizado (ver Torneke, 2010 para saber mais).

Tais comportamentos restringem o repertório comportamental e, além de não cumprir as expectativas de redução da angústia, têm o efeito de aumentar o sofrimento que a pessoa quer remover. Tirando do indivíduo que age de acordo com esse plano, qualquer possibilidade real de escolher uma direção diferente (Luciano, et al., 2004). É o que chamamos de esquiva experiencial (Hayes, Wilson, Gifford, Follette & Strosahl, 1996).

A Esquiva Experiencial não é necessariamente ruim. Ela faz parte de repertório generalizado bastante importante. É exatamente esse repertório que permite ao indivíduo fugir ou esquivar-se de uma situação de risco real, como um iminente acidente de carro ou assalto.

Também é possível manter esse mesmo padrão em relação a processos internos e assim esquivar-se e fugir de pensamentos, emoções e sensações físicas. Em alguns contextos, tal esquiva pode ser vista como uma estratégia de auto-proteção para evitar consequências aparentemente desastrosas. Evitar demonstrar desespero em uma entrevista de emprego ou controlar sentimentos de tédio numa aula de estatística podem ser importantes.

A situação se torna problemática quando propriedades aversivas estão presentes em contextos de grande valor pessoal e as ações tomadas para evitar tais funções vão na direção contraria. Tão naturalmente como tendemos nos aproximar de qualquer sinal de reforço e evitar qualquer sinal de aversão, a angústia psicológica pode surgir quando as tentativas de esquiva não são eficazes porque elas impedem as próprias ações que poderiam render resultados positivos a longo prazo (Luciano, et al., 2004).

Ao longo da sua história, o indivíduo aprende não apenas a discriminar e nomear eventos privados, como emoções, pensamentos e lembranças (Skinner, 1945), alguns eventos serão experimentados como positivos e outros como negativos (Hayes, 1984). A partir daí, A própria natureza da linguagem humana envolve necessariamente que, assim que algo é avaliado como positivo, este evento implicará no surgimento, mais cedo ou mais tarde, de um evento avaliado como negativo (ver Hayes, Barnes-Holmes, & Roche, 2001 ou o texto anterior). Dado este processo de avaliação de eventos privados, a atribuição de um papel ou outro (em termos de causalidade) a tais eventos privados está na base de padrões destrutivos de comportamento ocorrendo em um contexto cultural que fornece regras que explicitam que para comportar-se de maneira coerente com seus propósitos é necessário “sentir-se bem” (Dougher, 2002; Hayes et al., 1999; Pérez, 1999; Luciano, et al., 2004).

Não é difícil perceber que muitas síndromes psicológicas definidas a partir da sua topografia podem ter em comum a esquiva experiencial como fator importante no seu desenvolvimento e manutenção, como o uso de drogas e álcool, o Trasntorno Obsessivo Compulsivo, o Transtorno de Pânico, Agarofobia e até mesmo o Transtorno de personalidade Limítrofe (ou Bornerline), entre outras (ver Hayes, Wilson, Gifford, Follette & Strosahl, 1996).

Surpreendentemente, muitas técnicas de intervenção desenvolvidas para lidar com “maus” sentimentos podem, paradoxalmente, aumentar a frequência de comportamentos de esquiva. Intervenções cognitivo-comportamentais que propõem distrair-se (assistir TV, passear, relaxar, etc), avaliar a veracidade dos pensamentos; engajar-se socialmente (ligar para um amigo) para administrar respostas emocionais em situações de estresse, podem ter efeitos desastrosos para pacientes adictos, depressivos, sobreviventes de abusos sexuais, com dor crônica, simplesmente por aumentar o repertório de Esquiva Experiencial e não necessariamente diminuir o controle que tais eventos privados exercem sobre o comportamento (Ireland, MacMahon; Malow & Kouzekanani, 1994; DeGenova, Patton, Jurich, & MacDermid, 1994; leintenberg, Greenwald, & Cado, 1992; in Hayes at al, 1996).

Mas e aí, o que fazer?

Muitas sintomas psicopatológicos não são apenas problemas ruins, eles são simplesmente péssimas soluções baseadas no uso ineficaz e perigoso de estratégias de esquiva. E ao invés dos clientes serem encorajados a aprender formas mais inteligentes de lidar e vencer a batalha com os próprios pensamentos, muitos são levados a acreditar que é mais seguro esquivar-se.

Por outro lado, estratégias de tratamento baseadas na Aceitação procuram alterar o impacto dos eventos internos sem intervir na forma, frequência ou intensidade dos mesmos. Pensamentos e sentimentos são trabalhados por meio de técnicas de atenção plena (Mindfulness), aceitação, desliteralização, desfusão, alterarão de função de estímulos e clarificação de valores, ao invés da reestruturação cognitiva e equivalentes (Hayes et al., 2001; Wilson & Luciano, 2002). Afinal, por não assumir que os eventos privados são causa do comportamento, o foco não está em mudar tais eventos, mas sim em mudar a relação do indivíduo com seu mundo privado. Para isso, lhe é ensinado a responder ao eventos externos (como fazer as coisas que lhe importam), enquanto cadeias de respostas privadas se sucedem (sejam elas aversivos ou não).

O objetivo final é tornar o individuo menos sensível a tais eventos privados e mais sensível às reais contingências em vigor (Twohig, 2012) para que ele possa deliberadamente expor-se ao sofrimento, se este fizer parte da jornada dignificante em busca de uma vida plena e repleta de propósitos.

Querer sentir a dor
Não é uma loucura
Fugir da dor é fugir da própria cura”
Não fuja da Dor, Titãs
 

Para Saber Mais

Dougher, M., Perkins, D. R., Greenway, D., Koons, A., & Chiasson, C. (2002). Contextual control of equivalence-based transformation of functions. Journal of the Experimental Analysis of Behavior, 78, 63-94.

Hayes, S. C., Barnes-Holmes, D., & Roche, B. (Eds.) (2001). Relational frame theory: A post-Skinnerian account of human language and cognition. New York: Kluwer Academic/Plenum Publishers.

Hayes, S. C., Bissett, R., Korn, Z., Zettle, R. D., Rosenfarb, I., Cooper, L., & Grundt, A. (1999). The impact of acceptance versus control rationales on pain tolerance. The Psychological Record, 49(1), 33-47.

Hayes, S. C., Jacobson, N. S., Follette, V. M., & Dougher, M. J. (Eds.) (1994). Acceptance and change: Content and context in psychotherapy. Reno, NV: Context Press.

Hayes, S. C., Strosahl, K., & Wilson, K. G. (1999). Acceptance and Commitment Therapy: An experiential approach to behavior change. New York: Guilford Press.

Hayes, S. C., Wilson, K. G., Gifford, E. V., Follette, V. M., et al. (1996). Experiential avoidance and behavioral disorders: A functional dimensional approach to diagnosis and treatment. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 64, 1152-1168

Soriano, C. L., Valverde, M. R., & Gutiérrez, O. (2004). A proposal for synthesizing verbal contexts in Experiential Avoidance Disorder and Acceptance and Commitment Therapy. International Journal of Psychology and Psychological Therapy, 4, 377-394.

Törneke, N. (2010). Learning RFT: An Introduction to Relational Frame Theory and Its Clinical Applications. Context Press

Twohig, M.P. (2012) Acceptance and Commitment Therapy: Introduction. Cognitive and Behavioral Practice. doi: 10.1016/j.cbpra.2012.04.003

Wilson, K. G., & Luciano, C. (2002). Terapia de Aceptación y Compromiso: Un Tratamiento conductual orientado a los valores [Acceptance and Commitment Therapy: A behavioral therapy oriented to values]. Madrid: Pirámide.

 

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A importância do sono

Passamos cerca de um terço de nossas vidas dormindo. Dormir não é apenas uma necessidade de descanso mental e físico, durante o sono ocorrem vários processos metabólicos que, se alterados, podem afetar o equilíbrio de todo o organismo, a curto, médio e longo prazo. Dormir bem, portanto, faz-se necessário para manter-se saudável, melhorar a qualidade de vida e até aumentar a longevidade.

O sono é regido por um relógio biológico ajustado num ciclo de 24 horas (chamamos esse estudo de cronobiologia). Os ponteiros desse mecanismo são moldados geneticamente e sua sincronia depende de fatores externos, como iluminação, ruídos, odores, hábitos, vida social, etc.

Os especialistas acreditam que a principal peça dessa engrenagem é a melatonina – hormônio produzido no cérebro pela glândula pineal. Ele começa a ser secretado assim que o sol se põe, como um aviso para o organismo se preparar para “dormir”. Proporcionalmente o nível de cortisol diminui, a temperatura corpórea cai de 1 a 2 graus, a pressão arterial sofre uma leve queda, a respiração fica mais profunda e os ritmos cardíacos diminuem.

Como o desempenho físico e mental está diretamente ligado a uma boa noite de sono, uma noite em claro traz efeitos devastadores como a coordenação motora prejudicada e a capacidade de raciocínio e memória rebaixada.

Em estudo realizado pela Universidade de Chicago – EUA, onze pessoas com idades entre 18 e 27 anos foram impedidas de dormir por mais de quatro horas durante seis dias. No final do período, o funcionamento do organismo delas era compatível ao de uma pessoa de mais de 60 anos. E os níveis de insulina eram semelhantes aos dos portadores de diabetes.

Em outro estudo realizado pela Universidade de Stanford – EUA, indivíduos que não dormiam há 19 horas foram submetidos a testes de atenção. Constatou-se que eles cometeram mais erros do que pessoas com 0,8g de álcool no sangue (quantidade equivalente a três doses de uísque). Igualmente, tomografias computadorizadas do cérebro de jovens privados de sono mostram redução do metabolismo nas regiões frontais (responsáveis pela capacidade de planejar e de executar tarefas) e no cerebelo (responsável pela coordenação motora). Esse processo leva a dificuldades na capacidade de acumular conhecimento e alterações do humor, comprometendo a criatividade, a atenção, a memória e o equilíbrio.

Enquanto dormimos, acontece uma espécie de “reconstrução”, preparando o organismo para o dia seguinte. O cérebro comanda a produção e a liberação de hormônios como a melatonina e o GH (hormônio do crescimento), cuja produção ocorre predominantemente durante o sono, além de propiciar o crescimento, auxilia no vigor físico e garante longevidade com maior jovialidade. Também regula os níveis de outras substâncias responsáveis pela regeneração de células e cicatrização da pele. As proteínas são sintetizadas em grande escala, tendo como objetivo manter ou expandir as redes de neurônios ligados à memória e ao aprendizado.

Sabemos hoje que o sono se divide em duas categorias: sono REM (Rapid Eye Movements) e NÃO REM (Non Rapid Eye Movements). Durante o período de sono, normalmente ocorrem de 4 a 6 ciclos bifásicos com duração de 90 a 100 minutos cada, sendo cada um dos ciclos composto pelas fases de NREM, com duração de 45 a 85 minutos, e pela fase de sono REM, que dura de 5 a 45 minutos.

As cinco fases do sono

Primeira fase – é a transição entre o estado de vigília e sono. O cérebro produz ondas irregulares e rápidas e a tensão muscular diminui. Se for acordada nessa fase, a pessoa reagirá rapidamente, negando que estava dormindo. Corresponde a aproximadamente 5% do tempo total de sono.
Segunda fase – O sono é leve. A temperatura corporal e os ritmos cardíacos e respiratórios diminuem. Nesta fase, a pessoa cruza definitivamente o limite entre estar acordado e dormindo. Corresponde a 45 – 55% do tempo total de sono.
Terceira fase – O corpo começa a entrar no sono profundo. Os movimentos oculares são raros e o tônus muscular diminui progressivamente. Corresponde a 3-8% do tempo total de sono.
Quarta fase – É o sono profundo, onde o corpo se recupera do cansaço diário. Essa fase é fundamental para a liberação de hormônios ligados ao crescimento e para a recuperação de células e órgãos. Corresponde a 10 – 15% do tempo total de sono.
Sono REM – A atividade cerebral está a pleno vapor e desencadeia o processo de formação dos sonhos. Os músculos ficam hipotônicos, as frequências cardíaca e respiratória voltam a aumentar e a pressão arterial sobe. É o momento em que o cérebro faz uma espécie de faxina geral na memória. Fixa as informações importantes captadas durante o dia e descarta os dados inúteis. Durante o REM, os músculos longos do tronco, os braços e as pernas estão paralisados, mas os dedos das mãos e dos pés podem contrair-se. O fluxo sanguíneo em direção ao cérebro aumenta e a respiração fica mais rápida e entrecortada. REM é a fase dos sonhos vividos. Se a pessoa for acordada aqui, provavelmente recordará fragmentos de suas fantasias. Corresponde a 20 – 25% do tempo total de sono.
Enquanto você dorme…

– Liberação de hormônio – na infância, cerca de 90% do hormônio do crescimento são liberados durante o sono. Crianças que dormem mal têm mais chances de ter problemas no seu desenvolvimento físico.

– Elimina o estresse – uma noite bem dormida evita que o organismo acumule altos teores de cortisona. Esse hormônio produzido pelas glândulas supra-renais, é liberado em situações de estresse e contibui para aquele insuportável mau humor depois de uma noite em claro.

– Reposição de hormônio – o hormônio do crescimento continua sendo liberado mesmo na fase adulta. Embora em doses menores, isso continua acontecendo durante o sono. Em gente grande, ele evita a flacidez muscular e garante vigor físico.

– Imunidade – durante o descanso, o corpo libera as interleucinas: substâncias que ajudam o organismo a se defender de invasores, como vírus e bactérias.

– Apetite em equilíbrio – É durante o sono que o organismo libera maior quantidade de leptina, o hormônio que controla a sensação de saciedade e mantém as pessoas longe dos eventuais ataques à geladeira durante a madrugada.

– Envelhecimento precoce e tumores – Enquanto uma pessoa dorme, o organismo se livra com mais facilidade dos radicais livres, moléculas que podem causar o envelhecimento precoce e até tumores.

– Memória – O sono interfere na regulação térmica do cérebro, a função essencial para o bom funcionamento dos mecanismos de memória e da vida psíquica.

– Fixação de informações – Estudos indicam que a fase do sono REM é responsável pela fixação de informações incomuns e estressantes enquanto o sono NÃO REM (fases 1 a 4) se encarrega das informações de conteúdo emocionalmente neutro.

Dicas para um sono tranquilo:

– Procure manter um rotina em seus horários de deitar e levantar;

– Não durma mais do que o necessário;

– Faça exercícios físicos diariamente;

-Evite estimulantes como refrigerantes à base de cola, café, chocolate;

– Evite o consumo de bebida alcóolica;

– Não fume (a nicotina é estimulante);

– Não coma em excesso antes de deitar;

-Não pense nos problemas e responsabilidades na hora de dormir;

– Relaxe. Tome uma ducha, leia um livro ou ouça uma boa música. Estas estratégias podem chamar o sono mais rápido.

Dormir bem é garantia de uma vida saudável, portanto, empenhe-se nessas dicas!

Giovanna Vasconcelos

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Transtorno do pânico

Transtorno do Pânico – O medo de ter medo

Aspectos históricos

Nossos mitos culturais trazem, profundamente arraigadas, as raízes da experiência de pânico. Conta-se que Pã, o deus grego da natureza, habitava os campos, reinando sobre os rios e árvores. Pã não se enquadrava na imagem popular de um deus, era metade homem metade animal, sua aparência era assustadora. Ele se divertia aparecendo subitamente e causando uma reação intensa de medo (pânico) nas pessoas. Todos que eram perseguidos por ele, dele fugiam, talvez por sua aparência, ou por suas aparições inesperadas (Nardi; Valença, 2005, p.2). Os atenienses ergueram um santuário ao deus Pã, perto da praça pública “ágora”, algumas pessoas tinham medo de frequentar esse lugar, daí a origem do termo agorafobia, para designar o medo de lugares públicos (Caetano, 2001, p.9).

Embora Pã se tenha desvanecido no mito, seu poder é experimentado diariamente por milhões de pessoas.

Sintomatologia e diagnóstico

O transtorno do pânico caracteriza-se pela presença inesperada de ataques de pânico. Sendo esses “ataques” períodos de intenso desconforto, no qual quatro ou mais dos sintomas listados abaixo, segundo o DSM-IV (manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais), desenvolvem-se de forma abrupta, atingindo o ápice em dez minutos, e costuma se estender por um total de quarenta a cinquenta minutos:

– taquicardia (ritmo cardíaco acelerado);

– sudorese intensa (suor, principalmente na face ou cabeça);

– tremores ou abalos musculares;

– sensação de falta de ar ou sufocamento;

– sensação de “nó” na garganta (ou aperto);

– dor ou desconforto no peito;

– náuseas ou desconforto abdominal (similar à cólica);

– tontura, vertigem ou desmaio;

– sensação de irrealidade (estranheza com o ambiente) e de despersonalização (estranheza consigo mesmo);

– medo de perder o controle de seus atos ou de enlouquecer;

– medo de morrer;

– sensação de anestesia ou de formigamento;

– ondas de calor ou calafrios.

Ainda para se diagnosticar o transtorno do pânico os ataques não podem ser explicados por uma doença física, outro transtorno de ansiedade, nem estarem relacionados aos efeitos de substâncias medicamentosas ou drogas.

Não raro, pacientes com esses sintomas são atendidos na sala de emergência de pronto-socorros, acreditando que estão tendo um ataque cardíaco, isso porque além da semelhança dos sintomas, existe uma sensação de morte iminente. A peregrinação por médicos e hospitais só cessa quando, enfim, o paciente recebe o diagnóstico de transtorno do pânico, que é um problema conhecido, comum e tratável.

Prevalência do Pânico

O transtorno do pânico, é um dos transtornos de ansiedade mais comuns entre adultos, apresentando prevalência em torno de 4,7% segundo National Comorbidity Survey-Replication, (NCS-R) nos Estados Unidos. Sendo mais frequente em mulheres do que em homens, na proporção 3:1.

Pessoas mais freqüentemente acometidas pelo transtorno são adultos jovens (entre 21 e 40 anos). Pacientes com pânico apresentam características de funcionamento psicológico em comum, tais como: alta produtividade profissional, assumem uma carga excessiva de afazeres e responsabilidades, são bastante exigentes consigo mesmos, baixa tolerância à erros ou imprevistos, preocupados, perfeccionistas, excessiva necessidade de controle e aprovação dentre outros. Tais características expõem o indivíduo a uma maior probabilidade de estresse acentuado, que por sua vez colabora para um aumento intenso da atividade de determinadas regiões do cérebro, desencadeando assim um desequilíbrio bioquímico e conseqüentemente o transtorno do pânico.

Conseqüências do Pânico

Se não tratado, o transtorno de pânico tem curso crônico, marcado por períodos de acalmia e outros de reagravamento dos sintomas geralmente seguindo-se a períodos de vida com maior exposição a eventos vitais estressores. (Range, 2001, p.147)

O medo da recorrência dos ataques, a ansiedade antecipatória, faz com que muitas pessoas sintam que não podem continuar trabalhando ou tendo a mesma vida de antes. Quando, por medo de estar sozinho ou não poder ser socorrido caso tenha um ataque de pânico, o indivíduo freqüentemente foge, ou se esquiva de locais públicos ou situações sociais, dizemos que além do transtorno de pânico está presente a agorafobia. O transtorno do pânico com agorafobia limita a exposição à situações cotidianas como estar sozinho, estar em meio à multidão, andar de ônibus, etc. O paciente passa a se sentir dependente daqueles em quem confia, se sentindo seguro somente quando na companhia dessas pessoas.

O transtorno do pânico não prejudica de modo permanente as funções mentais do paciente. Temporariamente, a concentração, a memória, as capacidades intelectuais, o bem-estar, podem ser rebaixadas pelo medo, mas tudo isso pode ser recuperado, e até melhorado com a superação do pânico.

Tratamento medicamentoso

Chamamos de neurotransmissores as substâncias produzidas pelo cérebro que são responsáveis pela comunicação entre os neurônios (células do sistema nervoso). É através dessa comunicação que se formam mensagens que irão determinar a execução de todas as atividades físicas e mentais do nosso organismo. Quando há uma falha ou desequilíbrio na produção desses neurotransmissores (no caso do transtorno do pânico: a serotonina e a noradrenalina), algumas áreas do cérebro podem transmitir informações e comandos incorretos, por exemplo, em uma crise de pânico a informação incorreta alerta e prepara o organismo para uma ameaça ou perigo que na realidade não existe.

O tratamento recomendado, e que atua de forma substancial nas crises, na ansiedade e na prevenção de novas crises são os psicofármacos. Todos os grupos de antidepressivos mostraram-se eficazes, os tricíclicos, os tetracíclicos, os ISRS (inibidores seletivos da recaptação da serotonina) e os IMAOs (inibidores da MAO). Os antidepressivos têm sua eficácia comprovada em outros transtornos comportamentais além da depressão, isso porque atua no equilíbrio da serotonina (neurotransmissor que traz bem-estar ao indivíduo). O tempo de ação terapêutica para antidepressivos geralmente não é inferior a 20-30 dias. Por essa razão, a associação com outro tipo de medicação, os benzodiazepínicos ou ansiolíticos é uma boa estratégia, já que estes sim trazem importante alívio das crises já no início do tratamento.

O tempo deste tratamento vai depender da resposta do indivíduo à medicação e ao tratamento psicoterápico, outra intervenção fundamental para o transtorno do pânico.

Tratamento com TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental)

Sujeito às “informações e comandos incorretos” o organismo do indivíduo com pânico se prepara para um perigo que na realidade não existe. A sensação freqüente de perigo e a interpretação distorcida e catastrófica dos sintomas físicos leva, não raro, o paciente a evitar ou se esquivar de situações nas quais os ataques ocorreram, ou que ele tema que possa ocorrer.

A TCC é um processo de aprendizagem, que ensina ao paciente como reavaliar e reestruturar seus pensamentos de forma mais funcional, em relação à segurança, à avaliação das crises, ao medo de outras crises e à agorafobia, além de fornecer exercícios que facilitem o controle da ansiedade e da própria crise. Modificando a interpretação, modificam-se também os sentimentos (ex: medo, insegurança) e comportamentos (ex: esquiva, evitação) decorrentes desta.

O tratamento cognitivo-comportamental do pânico, conta com várias estratégias (técnicas cuja eficácia tem comprovação científica) que se sobrepõe no que diz respeito às intervenções, dentre elas: o treino de habilidades de manejo de sintomas corporais; o treino respiratório para previnir a espiral do pânico; a ênfase na exposição interoceptiva dos sinais corporais temidos e a eliminação da tendência persistente de interpretar de forma distorcida e catastrófica as sensações corporais.

Vale enfatizar que o transtorno do pânico não afeta permanentemente o funcionamento cognitivo do paciente. Portanto, estando este comprometido com seu tratamento medicamentoso e psicoterápico, suas chances de retomar e tornar sua vida mais saudável e prazerosa são enormes!

Giovanna Vasconcelos

Bibliografia

Barlow, D.H.; Cerny, J.A. Tratamento psicológico do pânico; trad. Maria Cristina Monteiro. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

H Katschnig and M Amering, The long-term course of panic disorder and its predictors, J Clin Psychopharmacol 18 (1998), pp. 6-11S.

Kaplan e Sadock. Compêndio de Psiquiatria . Artmed, 2002.

Rangé, B. (org.). Psicoterapias cognitivo-comportamentais: um diálogo com a psiquiatria. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

RC Kessler, WT Chiu, O Demler, KR Merikangas and EE Walters, Prevalence, severity, and comorbidity of 12-month DSM-IV disorders in the National Comorbidity Survey Replication, Arch Gen Psychiatry 62 (2005), pp. 617-627.

Silva, A.B. Mentes com medo: da compreensão à superação. São Paulo: Integrare Editora, 2006.

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Ansiedade patológica

Todos nós já sentimos em algum momento, medo, insegurança, desconforto, sensação de que algo desagradável vai acontecer. E como se não bastasse a ansiedade vem acompanhada de sintomas físicos como sensação de falta de ar, respiração curta, aperto no peito, calafrios, tremores, náuseas. A ansiedade está presente em todas as fases da vida, é um acompanhamento normal do crescimento, das mudanças, das experiências novas, da busca pela identidade. Esta ansiedade é adaptativa e até necessária, pois nos leva a ações de prevenção de perigos. Consideramos ansiedade patológica uma resposta exacerbada (em intensidade e duração) a determinados estímulos. Tais respostas podem, para algumas pessoas, parecer incontroláveis, interferindo em vários aspectos de sua vida, abrangendo seu funcionamento psicológico, social e ocupacional. O tratamento inclui psicoterapia e intervenção medicamentosa, quando necessário.

As teorias comportamentais-cognitivas têm gerado os tratamentos mais efetivos para os transtornos de ansiedade. Exige menos tempo que as demais terapias e seu objetivo terapêutico é claro e concreto: a extinção de hábitos mal-adaptativos e sua substituição por padrões novos apropriados e não provocadores de ansiedade. A pessoa que se submete a terapia comportamental-cognitiva não é “paciente” ou “aquele que recebe a ação de um agente”, mas ao contrário é participativo, uma vez que aprende a entender a maneira como seu pensamento e estado emocional contribuem para o aparecimento destes sintomas e como mudá-los, passando a agir de forma mais funcional frente a uma situação em que poderia surgir a ansiedade, conseguindo, finalmente, manter o controle.

 

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